quarta-feira, outubro 31, 2007

O Desafio do Curso Superior

Feira de profissões, testes vocacionais, orientação profissional... Essas são algumas das ferramentas utilizadas para ajudar o jovem vestibulando a acertar na escolha do curso superior. Isso porque muitos que conseguem se tornar universitários, desistem no meio do curso por não se identificarem com o mesmo, por ele não atender às suas expectativas, por criarem uma imagem da profissão divergente da realidade. Esse problema é sério, pois geralmente derruba a auto-estima do jovem, gera inúmeras dúvidas e pode até mesmo causar uma depressão. Entretanto, outro problema, talvez até mais grave que esse, é a falta de preparo profissional do jovem que se forma e precisa enfrentar a realidade do mercado de trabalho.


Na década de 60-70 ter um diploma era “garantia” de emprego uma vez que poucos tinham acesso ao que hoje chamamos Ensino Médio e menos ainda à faculdade. De lá para cá muitos fatores mudaram bruscamente essa realidade: aumento demográfico, elevação dos índices de desemprego e, principalmente, a globalização que unificou os mercados (inclusive o de trabalho) e fez com que a exigência por qualificação aumentasse vertiginosamente.


Muitos pais dos jovens que estão saindo do ensino médio ainda orientam seus filhos sob a ótica daquela época, fazendo-os investir pesada e exclusivamente em formação, em conseguir o diploma a qualquer custo e outros fatores extremamente importantes como a experiência profissional são ignorados.


Hoje o que se vê é um número cada vez maior de profissionais graduados e despreparados, que são obrigados a aceitar salários baixos e colocações fora de suas áreas de formação se não quiserem engrossar as estatísticas de desempregados. Esses jovens não recebem orientação sobre o que o mercado de trabalho irá exigir deles em termos de habilidades, comportamentos e conhecimentos diversificados.


Outro fator relevante é a falta de maturidade, pois ao entrar na faculdade via de regra o jovem recém adquiriu sua maioridade o que, para muitos, significa uma aquisição de maior liberdade, carteira de habilitação e outras “regalias”. O jovem então se depara com um mundo novo, especialmente porque muitos vão estudar fora da casa de seus pais e se vêem bombardeados com festas, pessoas diferentes, novas experiências... Enfim, muitos optam pela “curtição” e fazem apenas o necessário para passar nos testes da faculdade e ser aprovado. Quando esses jovens chegam ao mercado de trabalho e tentam conseguir uma posição geralmente os entrevistadores perguntam sobre suas atividades extracurriculares, projetos dos quais participou e conquistas alcançadas. Aqui é onde começa o problema.


O jovem começa sua busca pelo primeiro emprego, com o diploma na mão e em geral é o que mais relevante consta em seu currículo. Entretanto, as empresas buscam pessoas diferenciadas. Aliás, essa é a regra do mercado em todos os aspectos: destacar-se dos demais, seja pela inovação tecnológica, seja pela atuação na sociedade, seja pela preocupação ambiental, pela valorização do ser humano ou qualquer outro fator, o importante é diferenciar-se e ser notado e com os candidatos a uma vaga de emprego não é diferente. As organizações buscam pessoas diferenciadas, que apresentem certo valor que elas considerem como relevante para que essas pessoas promovam a valorização da empresa.


Infelizmente vivemos em um país em que tem se priorizado o imediatismo. Os governos buscam soluções paliativas que amenizem os problemas rapidamente e gerem “resultados” imediatos de forma a angariar a simpatia do povo sem se preocupar com problemas de ordem estrutural que podem gerar e que perdurarão para muito além de seus mandatos. Isso faz com que não se procure soluções para o problema da educação no Brasil. Se de um lado temos cada vez mais pessoas concluindo e perdurando nos estudos, de outro vemos uma realidade de pessoas com formação, mas sem qualificação, sem a competência necessária para garantir uma vaga no mercado de trabalho, o que gera um paradoxo: altos índices de desemprego associado a pessoas atuando fora de suas áreas de formação e empresas que não conseguem preencher suas vagas pela falta de candidatos qualificados e aptos para desempenhar as tarefas satisfatoriamente.


É preciso abrir mão de algumas coisas no presente e investir tempo na adequada preparação para o futuro para que o super aproveitamento do tempo com lazer agora não gere o dobro de atraso mais a frente. Certo é que ninguém deve abdicar de suas atividades prazerosas, momentos de lazer e relaxamento, momentos de aproveitar a família e os amigos; contudo, é preciso pensar melhor sobre como tem sido utilizado o tempo durante o período da faculdade. Está fazendo apenas o essencial para conseguir o diploma ou realmente está se preparando para o mercado? Está aproveitando o conhecimento disponível na entidade de ensino ou todo esse potencial está sendo desperdiçado? Atividades não só de formação de diplomados, mas de formação de bons profissionais estão sendo desenvolvidas?


Abaixo seguem algumas dicas para aqueles que estão entrando ou já estão estudando em um curso superior, quanto aos outros, não se desesperem, conscientizar-se da necessidade de fazer diferente é o primeiro passo para obter resultados diferentes.

- Defina suas metas (pessoais, profissionais), elas são condizentes? Se não, é necessário adequá-las.


- Investigue sobre o que é valorizado em sua área profissional: comportamentos, atitudes, habilidades, conhecimentos gerais...


- Esteja próximo dos docentes. Isso não quer dizer tornar-se um bajulador, embora algumas vezes você seja taxado de tal, o importante é conversar com eles sobre o mercado de trabalho, sobre atividades extras que podem ser desenvolvidas, cursos que podem ser feitos, oportunidades para mostrar seu valor e aprender mais, bem como começar uma rede de contatos na área.


- Não é necessário se inscrever em todos os eventos que tiver. Selecione aqueles que mais irão contribuir com o alcance de suas metas, mas procure sempre atentar-se ao que está acontecendo a sua volta, acompanhando sua evolução e seja participativo, assim você poderá ser visto e terá “experiências” para relatar ao recrutador.


- Leia, escreva e procure publicar o que você escreve. Peça ajuda para os professores, envolva-os, faça-os comprar sua idéia.


- Lembre-se: ser tímido não é um problema, mas se a timidez lhe atrapalha no trabalho em equipe ou na apresentação de trabalhos, procure cursos que o ajudem a superar, a lidar com a timidez e a ter maior desenvoltura como cursos de Oratória, os famosos “Como Falar em Público”, dentre outros.


- Invista em você, em sua formação, na sua informação e não se esqueça de guardar os comprovantes de participação em eventos e outros certificados/publicações e documentos que possam comprovar essas atividades.


- A atuação como voluntário também tem um grande peso para o contratante, demonstra força de vontade, preocupação social, visão global e muitas outras qualidades desejáveis.


- Procure conhecer seus pontos fracos e trabalha-los. Ter defeitos é aceitável, desde que você os reconheça e demonstre que está lidando com eles, procurando minimizar seus efeitos e crescer como pessoa e profissional.


- Pense no que você quer para si, tanto pessoal como profissionalmente, planeje, tenha em mente suas qualidades, seus diferenciais, pois se você mesmo não se conhece, como a empresa poderá conhecê-lo? Você é quem tem o poder de comunicar, de encantar...

O mais importante: coloque em prática! Muitos planejam, mas poucos conseguem transformar o plano em ação, por isso, faça a diferença e você sentirá a diferença!

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